EXPO
A 7ª edição da Bienal Internacional de Arquitetura, realizada em São Paulo, revelou talentos e muita criatividade na apresentação de soluções voltadas à sustentabilidade. Projetos catarinenses estiveram em evidência, revelando o potencial dos profissionais locais. A jornalista Simone Bobsin esteve lá e apresenta aqui as suas impressões sobre este que é um dos maiores eventos de arquitetura do mundo

Texto Simone Bobsin
Fotos: Divulgação

A BIA, COMO É CARINHOSAMENTE APELIDADA a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em sua sétima edição abrigou trabalhos de profissionais estrangeiros e brasileiros, dentre os quais vários catarinenses. A exposição ocupou os 25 mil m2 do prédio da Fundação Bienal, instituição que, ao lado do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), organizou a mostra. Considerado um dos maiores acontecimentos do ramo no mundo, a 7ª BIA foi encerrada em 16 de dezembro após 40 dias de evento, contabilizando números que impressionam: 1.237 projetos de 818 arquitetos, 300 maquetes e um público de 120 mil visitantes.
O próprio Pavilhão da Bienal, erguido em concreto, aço e vidro no Parque do Ibirapuera sob o traço do nosso ilustre Oscar Niemeyer, era um destaque à parte. A história do projeto, ilustrada por desenhos originais, ocupou a Sala Especial dedicada ao centenário mestre. Niemeyer foi um dos homenageados desta edição, ao lado de Paulo Mendes da Rocha, os dois únicos profissionais brasileiros a conquistar o Pritzker, prêmio máximo da arquitetura mundial.

Catarinenses

Dos 125 trabalhos que integraram a Exposição Geral de Arquitetos, dois levavam a assinatura de catarinenses. Um deles, o da Igreja Comunitária de Teresópolis, localizada nas imediações do município de Águas Mornas, na Grande Florianópolis, é fruto da parceria entre os arquitetos Thiago Dorini e Eduardo Faus, da capital, que destacaram o processo participativo na definição do desenho. Em reuniões quinzenais com os profissionais, a comunidade debatia, deliberava e aprovava as etapas do projeto em desenvolvimento. Entretanto, ao invés de construir uma réplica da igreja já existente, como a comunidade havia sugerido, os arquitetos propuseram uma releitura contemporânea do edifício original, idéia aprovada em uma dessas reuniões.
A Requalificação dos Jardins do Palácio Cruz e Souza, em Florianópolis, foi o outro representante de Santa Catarina na Exposição Geral. O projeto inicial dos ex-colegas de faculdade Rafael Alschinger, Maurício Holler e Tatiana Pretto, idealizado há oito anos, previa apenas uma intervenção paisagística no Museu Histórico de Santa Catarina. Porém, a pesquisa arqueológica necessária para a edificação, erguida no século XVIII, exigiu a revisão do projeto e a sua readequação, a fim de preservar o material encontrado nas escavações. Um novo projeto foi então concebido, aprovado e executado em 2006. Parte das ruínas foi exposta em caixas de vidro transparente, iluminadas internamente, revelando mais um importante capítulo da história catarinense no Palácio, que é aberto ao público diariamente.
Quem circulou pela Exposição de Arquitetos Brasileiros Convidados deparou-se com um diversificado panorama da arquitetura nacional. Um dos 12 participantes era Roberto Simon, único representante de Santa Catarina convidado para esta que era a seção mais selecionada da 7ª BIA. Simon levou para o evento amostras dos seus 25 anos de trabalho na liderança do escritório Studio Domo. Entre os projetos apresentados estavam os da loja Guga Kuerten, do Centro Médico Baía Sul, do Residencial Vila Ramos e da Indústria Farmacêutica Milian.

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O público prestigiou a 7ª BIA que contou com idéias catarinenses: o premiado projeto do ‘novo urbanismo’ da Cidade Universitária Pedra Branca, apresentado por Roberto Simon, os jardins revitalizados do Palácio Cruz e Souza, que exibem material arqueológico encontrado durante as escavações, e a Igreja Comunitária de Teresópolis projetada pelos arquitetos Thiago Dorini e Eduardo Faus