efemera1 efemera2_ro
efemera3_ro
Arquitetura efêmera

Passageiro, transitório, mas nada superficial. Projetar estandes, showroom, vitrines e ambientes de mostras de decoração requer um programa de necessidades específico e um rígido controle sobre materiais, fornecedores e prazos. Para a criatividade, porém, não há limites

CRIAR CENÁRIOS, convidar ao sonho, à fantasia. É crescente a valorização da arquitetura efêmera entre quem deseja provocar sensações. A atividade, antes restrita às mostras de decoração, tornou-se indispensável em eventos como forma de traduzir conceitos, permitir a interatividade e simular realidades. Não se trata apenas de um elemento de diferenciação estética, mas também – e principalmente – de uma estratégia comercial.
“Coisa em si inexiste. Só existe o que se sente”. Esta frase, do poeta e músico Arnaldo Antunes, norteia o trabalho da arquiteta e designer Emanuella Wojcikiewicz, experiente em arquitetura efêmera e premiada, por duas vezes, por ambientações realizadas na Fenaostra, na Capital. Uma arquitetura temporária, acredita, cria um efeito simbiótico entre o usuário e quem a projeta. E o mercado já assimilou isso, na sua avaliação. “A busca pelo entretenimento é peculiar ao ser humano, que deseja novas experiências sensoriais. As grandes empresas estão percebendo a importância disto, de possibilitar aos consumidores, quaisquer que sejam, locais respeitáveis que possam ser bem utilizados para troca de informações e interatividade”, complementa.
O principal diferencial deste tipo de projeto está na liberdade criativa dos profissionais. “Enquanto a construção civil exige estabilidade e durabilidade de seus materiais, pois uma casa é construída para durar décadas, a montagem de um espaço efêmero nos permite experimentar materiais menos ‘definitivos’. Deve-se levar em conta que dentro de alguns dias, ou meses, ele será desmontado e seus materiais, provavelmente, reutilizados em outros projetos efêmeros”, considera a arquiteta Roberta Bertini Viegas, que cursou o Master Arquitectura, Arte y Espacio Efímero da Fundació Politècnica de Catalunya, em Barcelona. Outro diferencialestá, sem dúvida, no programa de necessidades. “Numa exposição de arte, a preocupação é apresentar a obra da melhor maneira possível, tomando cuidado com temperatura, iluminação e umidade para não danificar a peça. Já em uma festa, onde as pessoas se reúnem principalmente para beber, imagina-se que muitas estarão alcoolizadas, situação que define algumas medidas de precaução”, exemplifica Roberta, citando a instalação de chopeiras a uma distância segura do público, a criação de uma área livre no centro do pavilhão para se evitar tropeços no meio da multidão, a fixação da decoração de teto a uma altura que o público não a alcance e a garantia de que toda a cenografia ao próxima ao público esteja muito bem fixada. Estes foram os cuidados tomados por Roberta no ano passado, quando ela participou do projeto executivo e da montagem da Oktoberfest, em Blumenau.

Leia mais sobre arquitetura efêmera na versão impressa da Revista Área de setembro de 2007.



Muitos projetos têm de ser feitos para durar como este estande com piso e cobertura de vidro, projetado pelo escritório Theiss Girardi, para excursionar pelo País, em feiras do setor.
Projeto da arquiteta Roberta Bertini para a exposição SP3D - A cidade em três dimensões, realizada no MASP.
Evento de inauguração de um cinema no Floripa Shopping, em Florianópolis, com cenografia assinada pela arquiteta Emanuella Wojcikiewicz